sábado, 13 de agosto de 2011

De onde emana hoje, a ameaça à paz?


De entre as várias causas, a mais lógica é sem dúvida a menos óbvia, a razão disso é que ela é interna. Se não vejamos:
Emana da incapacidade de auto-governação, auto-administração e acima de tudo da falta de união dos Estados caracterizados por uma forte capacidade económica, que deriva dos recursos preciosos, que possuem, como é o caso de petróleo, à essa incapacidade alia-se uma distribuição desigual dos recursos, enraizada num regime monárquico. Esse quadro caracteriza quase todos os países do Médio Oriente e alguns da África mais especificamente da região de Magreb, sem deixar de fora a Angola.
A ameaça à paz, emana também da vulnerabilidade e da cultura de esmola dos Estados caracterizados por uma economia dependente do orçamento externo, caso da maior parte dos países africanos, incluído o nosso.
É esse quadro, que vai permitir a interferência das potências estrangeiras, caracterizadas por uma grande sede de explorar e dominar. E o mais agravante é que as instituições internacionais se mostram ineficazes ou carentes de legitimidade universal, ao tentar lidar com questões como “interferências ou invasões injustificadas”
Esse facto é sublinhado por (Hobsbawm 2007), quando diz que o papel dos organismos internacionais existentes, sobretudo da Organização das Nações Unidas (ONU), tem de ser repensada. Embora esteja sempre presente e normalmente se recorra a ela, sua actuação na resolução de disputas não é clara.
Os conflitos internos sempre existem, por razões acima referidos, mas podem facilmente tornarem-se violentos, quando há um envolvimento de outros países ou de outros agentes militares nesse tipo de conflitos, é aí onde reside o maior perigo de guerra, pois, para além dos interesses internos, regista-se um oportunismo externo, que sempre se esconde por de trás das intervenções humanitárias. Exemplos para isso não faltam: a invasão dos Estados Unidos da América ao Iraque e mais recentemente da NATO à Líbia.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

CARTA ABERTA PARA SENHORA PRESIDENTE DO MUNICÍPIO DA CIDADE DE XAI-XAI[1]

Assunto: Por uma cidade de Xai-Xai cada vez mais distante dos erros das grandes cidades, uma cidade da actualidade.
Quero antes de mais nada endereçar as minhas sinceras saudações a senhora Presidente do Município da cidade de Xai- Xai, Rita Bento Muianga, ao senhor Presidente da Assembleia Municipal Matias Albino Parruque, bem como a toda vasta equipa de profissionais que cuida dos destinos desta cidade.
Excelência, é do conhecimento de todos que a cidade de Xai-Xai está crescer a cada dia que passa, falar de Xai-Xai de acerca de 10 anos atrás, não é o mesmo que falar de Xai-Xai de hoje, quer do ponto de vista da densidade populacional, urbanização, infra-estruturas sociais e comerciais, serviços, espaços habitacionais, tráfico quer de pessoas assim como de viaturas ao longo da cidade. Excelência apesar de estar a residir fora da cidade de Xai-Xai por motivos académicos, tenho de confessar que me surpreendo positivamente cada vez que para aqui me dirijo. É tanta mudança, e desde já concordar com o vosso slogan, “juntos trabalhamos por uma cidade de sonho”. Não há como negar, a minha cidade natalícia está crescer em todas dimensões, e é muito bom, é de salutar, mas dum lado, isto torna-se maléfico, pois com este crescimento vêem grandes perigos, e típicos dos grandes centros urbanos, desde o super povoamento, roubos, criminalidade, falta de transportes, falta de espaços para estacionamento de viaturas ao longo das avenidas, poluição a todos níveis, falta de espaços habitacionais, desemprego, etc. E pelas minhas constatações sempre que visito a cidade, tenho de alertar a senhora Presidente que a cidade está a caminhar ao encontro destes problemas, pois estão a ser cometidos os mesmos erros que foram cometidos pelas grandes cidades, um exemplo claro é a cidade de Maputo (capital do país). Erros que variam desde, a concentração das principais infra-estruturas e serviços zona baixa da cidade, banhada pelo rio Limpopo (tornando-a numa zona muito propensa as cheias), e da Estrada Nacional no1 (EN1), grandes investimentos comerciais localizados ao longo da EN1, exemplificando, Shoprite, KFC, Fashion Word (esta última que abriu a pouco), localizando-se num raio de separação não superior a 400 metros. Do ponto de vista de atracão de maior clientela até que é bom que estes centros estejam próximos uns dos outros, mas para o município isto torna-se prejudicial, na medida em que tudo acontece ao longo da EN1, por sinal a única estrada que uni o país do sul ao norte, ou vice-versa. Em termos práticos, isto significa uma circulação constante de viaturas (de pequena e grande tonelagem), vindas das províncias, que vão se misturando com viaturas em circulação ao longo da cidade, ou estacionadas ao longo da EN1 pois, as maiores actividades situam-se também ao longo da EN1. Contudo esta mistura de erros, vai trazer consigo: maior congestionamento de viaturas, elevado número de acidentes do tipo choque entre viaturas, maior perigo para os peões, atropelamentos, e a necessidade de instalarão de semáforos de forma a regular o trânsito dentro da cidade.
Este, é um dos problemas, dado que um outro problema que parece estar a ganhar terreno ao longo da cidade, é a falta de transportes semi-colectivos, em particular nas horas de ponta e no período das festas de fim do ano. Nas horas de ponta (concretamente no período da tarde e inicio da noite, das 15 as 19h), as paragens da Praça, Bim grande, Dimac, Take Away, Mercado, 8º Congresso, registam grandes molduras humanas que suportam a dura realidade de ficar horas e horas e em pé a espera de um transporte.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Escreve-se Independência e lê-se Dependência


Independência na minha modesta visão significa autonomia que um país tem para se auto-governar, elaborando políticas que se adequam ao contexto local, para a satisfação como prioridade aos que voluntariamente teriam elegido o governo em exercício. É nesse ambiente que o país para se auto-sustentar no âmbito da política externa, vai voluntariamente cooperar com os demais num processo que se traduzirá numa interdependência, que é uma relação que pressupõe a conjugação de esforços, para o alcance de um objectivo satisfatório para as partes envolvidas, contrariamente a dependência que traduz-se num atrelamento involuntário à uma orientação externa, que pode ser político económico e na pior das situações chegado mesmo a abranger ambos sectores.
Foi arquitectado uma estratégia de libertar Moçambique do domínio colonial, com o objectivo de alcançar a independência. Mas este objectivo continua sendo inatingível, e a condição para o alcance do mesmo objectivo, é que os moçambicanos teriam de se unir, mas essa tal condição foi sempre irrealizável. Existirá aqui uma relação de causa e efeito, em que a condição para libertar o país seria a união e a falta do mesmo teria comprometido o alcance desse mesmo objectivo?
A nossa percepção é a de que não, independentemente das contradições dos movimentos, desavenças dos actores evolvidos, na altura da luta pela independência do país, o objectivo foi alcançado, mas o que acontece é que o capitalismo ocidental, acaba gerado uma armadilha de dependência, aos países africanos, incluído o nosso, comprometendo deste modo a sua independência.
A dependência a que nos referimos neste artigo é a económica. Estando o nível de dependência do Governo em financiamento externo, nos 45% de Orçamento do Estado que traduz-se numa ajuda externa para reduzir os níveis de pobreza, para cobrir as áreas de infra-estruturais físicos e sociais e para o funcionamento de uma porção considerável de instituições públicas.
Dados de Banco Mundial constatam que Moçambique é mundialmente um dos países mais dependentes da ajuda externa. Esta situação apresenta um elevado risco de alienação dos interesses nacionais durante a elaboração e execução dos planos e estratégias do governo, incluído, as políticas públicas. Nesta lógica, a dependência económica influencia automaticamente na legitimidade política.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Uma Sociedade totalmente questionável


Nos dias que correm, vivemos numa sociedade quase que imbuída de contrastes, vícios de excentricidades, repressivas divergências que fecundam numerosos ataques verbais entre as diferentes gerações. Contudo, é por frente deste pano de fundo umbrático que se revela a vigente realidade, num período em que urge o resgate dos valores nacionais e sociais outrora cultivados com sangue, suor e lágrimas dos nossos ancestrais sobre esta jovem terra, que o tempo fê-los refém.
É certo que, nada obsta de nós como seres humanos livres, gozarmos dessa mesma liberdade para fazermos aquilo que bem entendemos e quando entendemos, desde que seja lícito, porém, há determinados comportamentos, determinadas atitudes que socialmente chocam com alguns princípios básicos e morais. A medida que crescemos é natural que em nós algo se altere, quer física, quer psicologicamente, sendo que a sociedade se move à velocidade dos passos das pessoas que nela se encontram inseridas, também é natural que surjam novas realidades diariamente, isto porque o Homem igualmente se transforma dia após dia. Por um lado há quem repreende, mas por outro, há sempre quem apoia a tempestuosa chuva de mudanças que vai caindo constantemente, submergindo e arrastando consigo a cultura, as tradições, os preceitos consuetudinários, enfim. Mas tudo o que se revela lúdico nesses nossos tempos altamente modernos, parece despir a lucidez de quem se deixa envolver.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Presidência aberta: uma análise dos discursos de Armando Guebuza

Desde a sua investidura, o presidente Armando Guebuza, nos seus discursos sempre deu ênfase a luta contra a pobreza em Moçambique, como tarefa de todos moçambicanos do Rovuma ao Maputo, do Índico ao Zumbo, destacando unidade nacional, como um instrumento indispensável para o sucesso de Moçambique nesta luta. A unidade nacional, passa pela revalorização dos heróis moçambicanos e reconstrução de lugares considerados históricos, como forma de juntar moçambicanos de diferentes origens, etnias, raças, religião, a lutar pelo mesmo fim: acabar com a pobreza em Moçambique. O presente texto, analisa os diferentes discursos de Guebuza, procurando perceber a essência e os objectivos, no contexto da chamada presidência aberta, com enfoque particular, na forma como o presidente trata as questões da pobreza, corrupção, crime, unidade nacional e da revalorização dos heróis nacionais.

O discurso sobre a pobreza
“Muitas vezes a mesma palavra já dançou com variadíssimos parceiros. Tantos que já não há festa sem que certas expressões abram o baile. Uma dessas palavras é a «pobreza». A pobreza já dançou com um par que se chamava «a década contra o subdesenvolvimento». Outro dançarino tinha por nome «a luta absoluta contra a pobreza». Agora, dança com alguém que se intitula «a luta contra a pobreza absoluta».”Mia Couto
De acordo com a Revista de investimentos, economia e negócios em Moçambique (2005) a eleição de Armando Emílio Guebuza como Presidente da Republica marcou o arranque de uma nova era em Moçambique. Segundo esta revista, à semelhança do discurso apresentado ao longo de toda a campanha, e na continuidade da política seguida por Joaquim Chissano, Armando Guebuza “escolheu” a luta contra a pobreza absoluta e a promoção de um crescimento da economia rápido e sustentável como objectivos centrais do seu programa. No que se refere particularmente a temática da pobreza, há uma considerável diferença na forma de abordar a questão se comparado com o seu antecessor Chissano. Guebuza, em seus discursos defende a pobreza como resultado, por um lado da carência, indisponibilidade, inacessibilidade ou insuficiência de serviços ou de infra-estruturas e por outro, um problema mental associado a ideias segundo as quais a pobreza é uma dádiva divina, sinónima de honestidade e de âmbito regional.
Na sua comunicação sobre a situação geral da Nação em 2006, o Presidente da República, procurando mostrar que a pobreza era um problema de todos moçambicanos, e que a satisfação das necessidades é encarada da mesma forma pelo governo, discursou nos seguintes termos:
A alegria que despertou a melhoria na disponibilidade de água, em quantidade e em qualidade na cidade de Inhambane foi idêntica à que assistimos nas cidades de Pemba, Tete e Quelimane quando os sistemas locais entraram em funcionamento” o que chamou de unidade nacional.
Para Guebuza, nenhuma parcela de Moçambique se pode considerar livre de uma ou de todas estas manifestações da pobreza, assim como nenhum cidadão se pode considerar imune aos efeitos destas manifestações sobre si, seu familiar, amigo ou vizinho, daí a razão fundamental para se considerar a luta contra a pobreza uma agenda de todos os moçambicanos, tanto no campo como na cidade.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O limite da Desigualdade (O Chapa - 100)

Diariamente submete-mo-nos à circunstâncias inconvenientes sem sequer tomarmos posição alguma, porquanto, não sobra sequer espaço para tal, a promiscuidade dos desiguais é inevitável, pois o destino, o fim e o meio pelo qual se pretende alcança-los é único, com o efeito a supremacia se rende ao conformismo e a necessidade, que vem ao de cima.
Tudo inicia nas estações dos transportes semi-colectivos, vulgo “Chapa -100”, ou melhor, a cada estação “Paragem”. Aquele velho divisionismo entre as classes sociais, baixa e média parece evaporar nas horas de aperto, e o ego também vai junto. São horas a fio com os pés semeados sobre o piso infecundo da paragem, a espera de colher os respectivos frutos, neste caso “o Chapa”, e junto de nós há mais pessoas, partilhando o mesmo espaço e o mesmo objectivo, mas, parte deles ou quase todos, são desconhecidos e de diferentes castas, mas isso não é perspicaz aos olhos de quem pretende a todo o custo “matar o tempo” enquanto a lata do “Chapa” não chega. Ò, lata, pois é o que maior parte deles aparenta ser devido as péssimas condições que oferecem aos seus utentes. O único jeito de “matá-lo”, muita das vezes tem sido na conversa, palavras embrulhadas por entre a língua, no verbo suave e sorridente que por vezes ocultam o cinismo. Podem até ser falsas as intervenções concebidas nestes momentos, mas a verdade é que a fastidiosa desigualdade conhece o seu limite. Alguns intervêm porque não sabem ao certo se o local aonde se encontram, é a “Paragem” ideal para alcançarem o “Chapa” que os levará junto do destino que pretendem, outros pelo desespero da longa espera, outros, ainda, poucos, nem por isso, fazem-no apenas por simpatia.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bem-haja Minerva Central

Decorreu em Maputo, de 14 de Abril a 30 de Maio do corrente ano, uma feira do livro em comemoração do 103º aniversário Livraria Minerva Central. O nosso clube acompanhou todos momentos marcantes deste grande evento, até por que semanalmente, ia reportando neste espaço o desenrolar do mesmo. Talvez não fosse mais necessário escrever sobre isso, contudo, sinto me forçado a dizer pelo menos um “Obrigado” a Minerva central, não só pelos convites, mas, acima de tudo pela oportunidade de aprender, divertir, sorrir, imaginar, pensar, conhecer, enfim “Viver” que todos nós presentes tivemos.    
Foram cerca de 6 semanas de momentos inesquecíveis, que de certeza marcaram a cada presente. No dia 14 de Abril, por volta das 18 horas e 30 minutos, o primeiro-ministro Aires Ali, dava como iniciada a feira, com as seguintes palavras:
“É sempre um prazer estar mais uma vez nesta casa, para dar início a mais uma feira do livro, antes de mais, os meus parabéns a Minerva pelo aniversário e pela iniciativa…”
Estava deste modo, iniciada a feira. Naquele dia, os nossos ouvidos ainda tiveram oportunidade de “saborear”, isso aí mesmo “saborear”, o francês de sua excelência embaixador da França, que se fez também presente nas cerimónias, que sem querer, deixava revelar seu agrado e entusiasmo pelo evento, que aliás, para além da presença de figuras nacionais, entre académicos, escritores, artistas, e outras, estava colorido de sons a batucadas de um grupo cultural de um dos bairros da cidade de Maputo.
Ainda registei neste dia, como não devia de ser, o momento das comas e bebas, Hum! Foi simplesmente fantástico. Terminava assim, a cerimónia de abertura da Feira, deixando enormes expectativas, que francamente falando, não foram frustradas, mas simplesmente superadas.
Os dias que seguiram foram marcados por encontros, lançamentos, conversas, projecção de filmes, e muito mais.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Participação política

Na terminologia corrente da ciência política, a expressão Participação Política é geralmente usada para designar uma série de actividades: o acto do voto, a militância num partido político, a participação em manifestações, a contribuição para uma certa agremiação política, a discussão de acontecimentos políticos, a participação num comício ou numa reunião de secção, o apoio a um determinado candidato no decorrer da campanha eleitoral, a pressão exercida sobre um dirigente político, a difusão de informações políticas.
É fácil de ver que um tal uso da expressão reflecte praxes, orientações e processos típicos das democracias ocidentais. E não é para admirar, se considerarmos que foi justamente em tais contextos que se realizaram as primeiras pesquisas sobre a Participação política e que até hoje, não obstante a ampliação de tais estudos, os nossos conhecimentos sobre o assunto derivam de pesquisas efectuadas num número bastante limitado de países ocidentais. A matriz cultural destes estudos faz com que a fundamentação conceptual e o campo de pesquisa nem sempre sejam transferíveis para contextos diferentes. Assim, a aplicação a sociedades em vias de desenvolvimento, carentes de infra-estruturas políticas e caracterizadas por elevadas taxas de analfabetismo, dos esquemas preparados para o estudo da Participação Política em sociedades desenvolvidas e possuidoras de uma tradição democrática mais ou menos sólida, não é sempre frutífera.
É indispensável precisar bem isto, porque se verifica que o substantivo e o adjectivo que compõem a expressão Participação Política se prestam a interpretações diversas. Antes de tudo, a definição de actividade política nem sempre é unívoca; se quanto a certas actividades como o acto de votar, por exemplo, não existem dúvidas, pelo que respeita a outras, principalmente da esfera religiosa, económica e cultural, o problema não é assim tão simples e a solução depende amiúde da cor ideológica dos próprios participantes. Em segundo lugar, o termo participação se acomoda também a diferentes interpretações, já que se pode participar, ou tomar parte nalguma coisa, de modo bem diferente, desde a condição de simples espectador mais ou menos marginal à de protagonista de destaque.

sábado, 9 de abril de 2011

“7 de Abril”: Bem-haja mulher moçambicana

Anualmente, quando este dia chega, o país do Ruvuma ao Maputo, do Índico ao Zumbo pára, para dizer obrigado mulher moçambicana.
Mas porque será este dia tão importante?
A história de um povo, é feita de memórias, e a nossa não é excepção. O povo moçambicano, neste dia lembra homenageando, Josina Abiatar Muthemba, que depois de casar com então presidente de Moçambique, Samora Machel, passou a chamar - se Josina Machel.
Josina Machel natural de Inhambane, abandonou seus estudos e tudo, para se juntar à FRELIMO, na luta contra o colonialismo português. Guerrilheira e activista moçambicana, esta mulher, nasceu a 10 de Agosto de 1945 e morreu no dia 7 de Abril de 1971 vítima de doença. É em homenagem a esta figura, que Moçambique celebra oficialmente 7 de Abril como dia da mulher moçambicana.
Josina é o exemplo de uma mulher lutadora, que muito cedo entregou sua vida à nação, para lutar por uma nobre missão – libertar o povo moçambicano do jugo colonial, tendo se destacado durante a luta, ao fundar o Destacamento Feminino, assim como ao impulsionar a criação do Centro Infantil de Nangade em Cabo Delgado, onde elementos do Destacamento Feminino, tomavam conta das crianças que ficavam órfãs, ou crianças cujos pais estavam ausentes, no combate pela libertação nacional junto à FRELIMO.
Esta figura, hoje heroína, é sem dúvida a inspiração de milhares de mulheres, que a tem como modelo e exemplo a seguir, que dia pós dia, engajam-se na luta contra pobreza que ainda nos apoquenta, caso para reafirmar e validar a ideia segundo a qual “educar uma mulher é educar uma sociedade”.
Josina Machel, destacou-se também, ao ser uma das primeira a lutar pelos direitos da mulher e igualdade de género.  
“Antes da luta, mesmo na nossa sociedade, as mulheres tinham posição inferior. Hoje na FRELIMO, a mulher moçambicana tem voz e um importante papel a desempenhar, pode exprimir as suas opiniões; tem liberdade de dizer o que quiser. Tem os mesmos direitos e deveres que qualquer outro militante, porque é moçambicana, porque no nosso Partido não há discriminação baseada em sexo”. (palavras de Josina Machel durante a luta)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Conceito de Poder

Em seu significado mais geral, a palavra Poder designa a capacidade ou a possibilidade de agir, de produzir efeitos. Tanto pode ser referida a indivíduos e a grupos humanos como a objectos ou a fenómenos naturais (como na expressão Poder calorífico, Poder de absorção).

Se o entendermos em sentido especificamente social, ou seja, na sua relação com a vida do homem em sociedade, o Poder torna-se mais preciso, e seu espaço conceptual pode ir desde a capacidade geral de agir, até à capacidade do homem em determinar o comportamento do homem: Poder do homem sobre o homem. O homem é não só o sujeito mas também o objecto do Poder social. E Poder social é a capacidade que um pai tem para dar ordens a seus filhos ou a capacidade de um Governo de dar ordens aos cidadãos. Por outro lado, não é Poder social a capacidade de controlo que o homem tem sobre a natureza nem a utilização que faz dos recursos naturais. Naturalmente existem relações significativas entre o Poder sobre o homem e o Poder sobre a natureza ou sobre as coisas inanimadas.
Muitas vezes, o primeiro é condição do segundo e vice-versa. Vamos dar um exemplo: uma determinada empresa extrai petróleo de um pedaço do solo terrestre porque tem o Poder de impedir que outros se apropriem ou usem aquele mesmo solo. Da mesma forma, um Governo pode obter concessões de outro Governo, porque tem em seu Poder certos recursos materiais que se tornam instrumentos de pressão económica ou militar. Todavia, em linha de princípio, o Poder sobre o homem é sempre distinto do Poder sobre as coisas. E este último é relevante no estudo do Poder social, na medida em que pode se converter num recurso para exercer o Poder sobre o homem.
A definição de Hobbes, tal como se lê no princípio do capítulo décimo do Leviatã, é a seguinte: "O Poder de um homem... consiste nos meios de alcançar alguma aparente vantagem futura". Não é diferente, por exemplo, do que Gumplowicz afirmou: que a essência do Poder "consiste na posse dos meios de satisfazer as necessidades humanas e na possibilidade de dispor livremente de tais meios". Em definições como estas, o Poder é entendido como algo que se possui: como um objecto ou uma substância.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Liberdade: um dos maiores Slogans da Democracia, mas que em algum momento põe em causa a própria Democracia

Não procurarei definir o conceito de liberdade, na medida em que ele é amplo e abre espaço para sérios debates, mas o certo é que o conceito de liberdade esteve sempre presente nas reflexões de vários autores ou pensadores, desde os clássicos, passando pelos modernos, até aos contemporâneos. Com o emergir dos regimes democráticos, a liberdade ganha mais espaço, deixando de ser apenas uma preocupação dos intelectuais (na Grécia antiga), dos académicos, mas sim dos próprios governos, (ainda que forçosamente), da comunidade internacional, das sociedades, e de quase toda humanidade. Hoje já é possível ler, bem como ouvir a perpetuação dos debates clássicos ligados a liberdade, a questão da liberdade política, liberdade económica, liberdade social, liberdade cultural, em fim, a liberdade em todos os níveis. E é bom ser livre, e todos nós desejamos a liberdade em todas dimensões da vida, a liberdade é boa. No entanto, nem todas coisas boas nos levam à maravilhas, e a liberdade não é a excepção, daí que apesar dela ser um dos itens indispensáveis a qualquer regime democrático, ela pode por em causa esta mesma Democracia. Se não vejamos: Baseando-me nos pressuposto de Tocqueville (1998), o grande problema é que a liberdade anda lado a lado com o individualismo, principalmente a liberdade económica que é tão exaltada nos regimes democráticos, criando um cenário em que os indivíduos perdem a noção do comum, procurando agir por si próprios, construir e deter o melhor possível para seu próprio bem, o mesmo que dizer que a liberdade leva os indivíduos ao egoísmo, possecismo, onde os mais letrados e certamente com mais oportunidades estarão na dianteira, levando uma vida luxuosa, de ostentação e uma riqueza individual cada vez mais crescente, sendo que os iletrados, na sua maioria pobres, sem condições mínimas de vida, tornaram-se cada vez mais miseráveis e marginalizados.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Conceito de Política

Moçambique é um dos Estados jovens existentes em África, tendo alcançado a sua independência em 1975. Após sua independência abraçou o sistema socialista, num contexto de guerra fria entre os E.U.A e U.R.S.S. Este sistema foi possível até a realização das primeiras eleições multipartidárias em 1994. Hoje Moçambique intitula - se um país democrático, portanto ao longo deste e dos próximos textos, irei trazer algumas abordagens teóricas referentes à alguns conceitos de política que poderão ajudar a analisar e a compreender o exercício do poder neste país. Tratando-se então do primeiro texto, achei crucial iniciar abordando o próprio conceito de política.
O significado clássico
Derivado do adjectivo originado de pólis (politikós), que significa tudo o que se refere à cidade e, consequentemente, o que é urbano, civil, público, e até mesmo sociável e social. O termo “Política”, se expandiu graças à influência da grande obra de Aristóteles, intitulada Política, que deve ser considerada como o primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias formas de Governo, com a significação mais comum de arte ou ciência do Governo. A expressão Política, foi usada durante séculos para designar principalmente obras dedicadas ao estudo daquela esfera de actividades humanas que se refere às coisas do Estado.
O conceito de Política, entendido como forma de actividade ou de praxis humana, está estreitamente ligado ao poder. Este tem sido tradicionalmente definido como "consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem" (Hobbes) ou, analogamente, como "conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados" (Russell, 1872-1970). Sendo um destes meios, além do domínio da natureza, o domínio sobre os outros homens, o poder é definido por vezes como uma relação entre dois sujeitos, dos quais um impõe ao outro a própria vontade e lhe determina, malgrado seu, o comportamento.
O poder político, refere-se ao poder do homem sobre outro homem, não à do poder do homem sobre a natureza. Esta relação de poder é expressa de diversas maneiras, onde se reconhecem fórmulas típicas da linguagem política: como relação entre governantes e governados, entre soberano e súbditos, entre Estado e cidadãos, entre autoridade e obediência, etc. Na tradição clássica que remonta especificamente a Aristóteles, eram consideradas três formas principais de poder do homem sobre o homem: o poder paterno, o poder despótico e o poder político, o paterno se exerce pelo interesse dos filhos; o despótico, pelo interesse do senhor; o político, pelo interesse de quem governa e de quem é governado, o que ocorre apenas nas formas correctas de Governo.

domingo, 27 de março de 2011

Foi nice, pá

Pode um fim de tarde de quinta feira ser tão agradável? Sim, pode. Prova-nos o lançamento do dia 17,  mês de Março, na Livraria Minerva. O lançamento de um livro é sempre uma cerimónia marcante. Para o autor que publica e para o público leitor que assiste. Ao fim de muito tempo de trabalho criativo, o autor finalmente dá-nos a conhecer o resultado e nós, leitores, que aguardamos com ansiedade, temos a possibilidade de aceder ao texto. Pouco a pouco o público foi se avolumando. Primeiro os mais ligados à organização: colocadores de cadeiras, montadores da aparelhagem de som, os leitores de excertos do livro, a apresentadora, os autores, familiares. Depois os demais convidados.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Porque não se criam partidos políticos, para radicarem a pobreza?

“O homem político tem a responsabilidade de adoptar soluções politicamente viáveis ao povo,  neste ponto difere do cientista político que procede cientificamente, se esforça por descobrir as razões do comportamento político dos que tem o poder ao seu cargo”. (Dimitri Lavroff, 1975).
Comecei este artigo por citar a frase do Lavroff, como forma de mostrar as responsabilidades do político e as competências do cientista político, mas a minha grande preocupação prende-se com o título do artigo, que cá entre nós são as expectativas do povo.
Com o objectivo de problematizar o título deste artigo, pelo facto de existirem partidos cujo cenário político é por si arquitectado e deste modo agem para satisfazer os seus interesses particulares, partido desse quadro, porquê não pensar em criar um partido que possa agir no sentido de satisfazer a colectividade.
Meus caros leitores, se a minha sugestão è radical, então o que acham do nosso campo politico?

domingo, 13 de março de 2011

“O fim dos livros” de Octave Uzanne

Depois de uma conferência em Londres, no fim do século XIX, convivas reúnem-se num clube e entretêm-se especulando sobre o futuro da humanidade nos próximos cem anos em vários domínios. Estes convivas acabavam de ouvir um notável físico inglês cujos cálculos indicavam que o fim do globo terrestre e a raça humana devia acontecer exactamente dentro de dez milhões de anos. Após uma explicação longa de vários assuntos cosmológicos feita pelo físico e matemático, o companheiro Edward Lembroke convida-os a cear. Foi depois esperar que o champanhe descontraísse os cérebros para que estes entusiastas do saber lançassem-se a sentenciar o futuro da humanidade.
James Wittmore vaticina um mundo em que “a América tomaria a dianteira do movimento na marcha do progresso” e “a África sempre explorada e sempre misteriosa”, “conquistada tão penosamente para a civilização.” Podemos contraditar o homem? Jullius Pollack, um vegetariano e naturalista prevê um mundo em que, graças à evolução na química, a alimentação seria doseada “sob a forma de pós, xaropes, pílulas e biscoitos” e “a fome riscada do registo das nossas misérias”, uma previsão bastante idealista que não lhe faltou censura. Arthur Blackcross, pintor e crítico de arte, místico, esotérico, simbolista e fundador da escola dos estetas do amanhã, desiludido com a falsidade artística, as cópias e a mediocridade, prevê uma saturação de quadros, de episódios históricos e figuras mitológicas, fazendo tais acontecimentos compreender aos governos “ a enorme loucura que cometeram ao não desencorajarem sistematicamente as artes, que é a única maneira de as proteger, exaltando-as”, e defende o regresso à uma arte aristocrática, onde “a produção será rara, mística, devota, superiormente pessoal”, compreendendo “talvez dez ou doze apóstolos por cada geração.”